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terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

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Escolas de Brasília testam novo currículo em ciclos e com menos reprovação

Novo modelo – que ainda é polêmico – está em teste em 71 colégios públicos. Entre receios e esperanças de sucesso, professores defendem criação de diferentes perfis de escola

 

Em busca de reduzir os índices de reprovação e melhorar a qualidade de ensino oferecida nas escolas do Distrito Federal, a rede pública da capital decidiu iniciar este ano um novo modelo curricular. A notícia pegou muitos pais e professores de surpresa, gerou polêmica, mas, aos poucos, começa a ganhar simpatizantes na cidade.
O modelo que está sendo testado por 71 colégios se baseia no programa Currículo em Movimento do Ministério da Educação, que estimula a busca de propostas pedagógicas inovadoras para garantir qualidade de ensino. O objetivo do novo currículo é articular melhor as fases do ensino fundamental e do ensino médio, garantindo que ninguém deixe de aprender, segundo a secretaria de educação do Distrito Federal.
A experiência iniciada em 2005 com as séries iniciais de alfabetização – o 1º, o 2º e o 3º ano formam um único ciclo, o Bloco Inicial de Alfabetização (BIA), no qual o aluno não pode ser retido de uma série para outra – será expandida. O 4º e o 5º ano formariam outro ciclo e, no futuro, as séries finais também serão divididas em ciclos. O ensino médio terá as disciplinas divididas em blocos e a organização das aulas será semestral.
Com isso, os idealizadores do projeto esperam que os educadores se forcem para encontrar alternativas de aprendizagem para todo estudante. Para o modelo funcionar de acordo com a proposta, o professor não pode aprovar o aluno sem que ele tenha aprendido. O aluno não é retido de uma série para outra dentro de cada ciclo, mas deve ganhar mais tempo para aprender respeitando seu ritmo.
“A organização pedagógica deve pautar-se numa concepção que leve em consideração o respeito às faixas etárias, às características e às necessidades individuais. A crença na reprovação como fator de pressão para a dedicação aos estudos é um mito. A progressão continuada das aprendizagens dos estudantes, implícita na organização escolar em ciclos, demanda acompanhamento sistemático do seu desempenho por meio de avaliação realizada permanentemente”, afirma, em nota ao iG , o governo do DF.
Reinaldo Vicentini Junior, professor de História do Centro Educacional 2 do Cruzeiro, participou dos debates que construíram o modelo do ensino médio e acredita que esse é momento importante para o futuro da rede pública da cidade. “A verdade é que estamos atrasados na definição de alternativas para o aprendizado. Valorizamos a preparação para avaliações em larga escala, como o Enem, e tornamos a escola homogênea demais”, afirma.
O secretário da Educação do DF, Denilson Bento da Costa, afirmou durante a apresentação do novo modelo, em janeiro, que as medidas vão reduzir a quantidade de estudantes atrasados nas escolas. Segundo ele, há cerca de 80 mil alunos com dois ou três anos de repetência.
Diferentes formatos
Os críticos temem que, na prática, as escolas aprovem os alunos sem que eles aprendam. Algumas escolas de ensino médio, com medo de prejudicar a preparação dos estudantes para o vestibular, decidiram aguardar resultados. Porém, de modo geral, todos reconhecem que é preciso encontrar alternativas pedagógicas para tornar a escola mais interessante e aumentar a proficiência dos alunos.
“Há perfis diferentes de alunos e de escolas. O nosso estudante é focado no vestibular e, nesse primeiro momento, ficamos com medo de que, dividindo os conteúdos em dois semestres, prejudicássemos os estudantes. Com educação integral, que ainda não temos, seria mais fácil equacionar isso”, comenta Ana Lúcia Marques, diretora do Centro de Ensino Médio Setor Leste, um dos colégios mais reconhecidos pelo bom desempenho da cidade.
No novo modelo, as disciplinas do ensino médio são divididas em dois blocos. No primeiro, estão Biologia, Química, História, Filosofia e Inglês. No segundo, Física, Geografia, Sociologia, Espanhol e Artes. Os alunos estudam um bloco a cada semestre. Com menos disciplinas na grade curricular, a carga horária de cada uma aumenta. Apenas Matemática, Língua Portuguesa e Educação Física continuam anuais.
Para Ana Lúcia, o ideal seria oferecer aulas de reforço para quem deseja estudar as disciplinas do bloco em que não estão matriculados naquele semestre no horário contrário ao das aulas obrigatórias. “É uma proposta inovadora e vai ajudar muito quem não tem foco no vestibular”, afirma. Para a secretaria, a semestralidade não interfere no processo de preparação para o vestibular. Em nota, o órgão diz que o aluno que “aprende de verdade” não esquece conteúdo.
No Centro de Ensino Médio 414 de Samambaia, o novo modelo está em teste. Remífia Ferraz Tavares, diretora do colégio, conta que desde 2009 a escola enfrenta um grave problema de falta de professores. Cada um era responsável por alunos demais. “Com a nova proposta, a carga horária com cada aluno aumenta e o vínculo com eles também. A cada semestre, nossos professores cuidam de sete turmas ao mesmo tempo e não 15 como antes”, afirma.
Remífia espera que os professores tenham mais espaço e tempo para perceber as dificuldades de cada estudante e encontrar formas de ajuda-los. Ela reconhece que os resultados só serão percebidos no futuro, mas acredita que a ideia foi amadurecida no colégio. Debates com alunos e professores foram feitos no ano passado. “Todos sabiam que algo precisava mudar e acharam interessante experimentar. Vestibular não é o foco dos nossos alunos, mas estamos pensando em dar algum tipo de apoio específico para isso no fim do ano”, diz Remífia.
“Pela primeira vez, vejo algo democrático ser construído na Secretaria de Educação do DF. Só não participou das discussões quem não quis”, afirma Vicentini. Os debates foram realizados entre setembro e dezembro do ano passado. Ele lembra que a recuperação tem de ser contínua e o modelo força avaliações interdisciplinares. “Força o conhecimento a andar atrelado e o professor, a sair da sua zona de conforto”, pondera.

Fonte: Priscilla Borges - iG Brasília
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