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sábado, 23 de fevereiro de 2013

# PROF GILBERT

INSULTO A RAZÃO


Escrito para homenagear alguns poetas brasileiros.

 

INSULTO A RAZÃO

Não sou poeta, apenas insano

Perdão gênios se os profano.

Do acorde da poesia, acordei humano.

Destile o néctar sem cor

Colorido racional sem sabor.

Pensar sem sonhar

É a busca casta da dor.

A rima expulsa com repulsa a razão

Degusta sem pudores, sabores da emoção!

 

O incômodo zumbir do mosquito

É suave no verso transcrito

Parece despretensão

É recheada de inspiração.

Arte de mão feminina

Talento desta linda menina

Cecília é de fases por certo

No incerto voo do inseto

Traça letras do alfabeto!

 

É inocente a relação

Criança e seu negro cão

Tragédia é argumento...

 Sugestão

De cada mês extrai melodia

Faz do ano pura poesia.

Bilac  parnasia com esmero

Da flor do Lácio,

Colhe a joia que quero

Sem sequer me conhecer

Muito antes d’eu nascer

O sacrifício de Plutão

Fez minha história anteceder!

 

Outrora saudade demais

Da aurora da minha vida

Dribla o tempo

Deixa a velhice aturdida

Quem não voltou a ser criança

Quando Abreu trouxe a lembrança

Da sua infância querida...

Eis para o adulto alento

Foge por um momento

E mesmo sem saber

Oito anos parece ter.

 

Fria caixa de imagem

Que cega a beleza da visão

Grita e anuncia a toda nação:

“Meninos, eu vi!”

Pena que o guerreiro tupi

Padece sem honra e sem glória

Calado...

Morre também, o Timbira da história

Dias d’outrora, n’outro Dias plagiado

Ouve agora o insulto fraudado

“Juca Pirama foi assassinado!”

 

 

 

 

 

 

Na aridez desértica, não é o sol que queima

Tão pouco a sede que a seca teima

É um pássaro que gorjeia inspirado

É verso de Camões reencarnado 

É mágico encanto: Patativa do Assaré!

Da mão calejada no casebre de sapé

Versos simples ecoam no sertão

Alegoria de pescador é político ladrão.

 

A crueldade da ganancia

Sepulta o lavrador na ignorância

A cova nem rasa nem funda

Abriga o pouco defunto

Que é motivo de muito assunto

Mas este zumbi social

Morre e vive na trama de Cabral.

É erosão no latifúndio moral

Como pode sem terra morrer Severino 

Neste país continental.

 

E o mais carioca dos mineiros

Cede a pedra a este pedreiro

Agora é ele a pedra admirando o mar

É o poeta encantado, poesia a inspirar.

Ele que tanto amou o luar

Apenas parou de respirar...

É visão que homenageia

Quem pela areia passeia.

Drumont sentado, indaga sem fé:

E agora José?

 

Vinicius transforma água em vinho

Mas da fonte não bebo sozinho

Mesmo sendo chama, não morra:

Eterna perdure

E a poesia infinita seja:

Para sempre dure.

Redentora arca poética

Em minhas águas navega

Da lógica capital  me cega.

Do cruel diluvio da ignorância

Salva vida e esperança

Alma de poeta...

Imaginação de criança!

 

 

 

 

 

 

A poesia é sanha insana

Saneia com sonhos a inocência

De tola subserviência

Refém e escrava do real...

Tola a consciência.

O véu lúcido da razão

É a mais torpe escuridão

Sentencia:

Morte a imaginação!

Mas com o sol da poesia

Renasce o lúdico a cada dia

E desta mágica, a vida é magia:

Morrer... É não viver fantasia!

 

Prof. Gílberte

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
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