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sábado, 27 de abril de 2013

# PROF GILBERT

PENSAR GRANDE COM PEQUENAS AÇÕES!


PENSAR GRANDE COM PEQUENAS AÇÕES!
Eu tenho o incrível defeito de não ouvir conselhos e muito menos advertências, com certeza se os ouvisse, este texto não seria escrito jamais.
Eu sou um aprendiz incorrigível e graças a esta disposição em aprender, uma das coisas  mais prazerosas da minha curta carreira como professor é não ouvir os experientes que sabem demais, não dar muita atenção aos grandes nomes internacionais das revolucionarias teorias da língua escrita. Mas ouço e guardo tudo o que me falaram e falam meus alunos, principalmente aqueles com rendimento medíocre para os índices de aprendizagem, (talvez porque eu também tenha sido um deles).
A única coisa que admiro pela grandeza são as árvores, eu posso estar com a pressa que for se vir um flamboaiã, uma cerejeira, uma jabuticabeira, eu paro e fico admirando, imaginando como uma semente tão pequena foi capaz de gerar algo tão grandioso e fantasticamente bela. Tudo que eu mais queria era ter uma floresta diversificada com várias destas espécies, mas sou um sujeito de pequenas ambições financeiras, não tendo portanto latifúndio para possuir uma fazenda que abrigasse minha floresta.
A solução veio da paciência dos orientais, em pequenos vasos tenho uma floresta que venho apaixonadamente cultivando a mais de vinte anos e passo horas observando-as, vigiando, cuidando... E quando uma delas me presenteia com uma única flor, eu me sinto o mais feliz dos seres humanos. Minha pitangueira, da experiência dos seus treze anos e do alto de seus quinze centímetros excedeu as expectativas e me enche os olhos com seus mais de doze frutos!
- O que isso tem a ver com o trecho inicial do texto?
Tudo! Para um grande e rico produtor de frutas, a minha pitangueira passa despercebida, para uma pessoa que pensa grande, ela deveria estar em um terreno maior, produzindo muito mais e alguns passariam por ela sem sequer percebe-la!
Por isso teóricos russos, franceses ou suíços, não me causam o menor interesse, seus frutos são amadurecidos em estufas, insossos para meu paladar vulgar. Prefiro o sabor nordestino dos frutos do mestre Paulo Freire, amadurecidos pelos raios solares que não permitem a estandardização, variam a cada estação de acordo com as condições da natureza!
Por isso eu contrariando os conselhos dos experientes, contrariando as comprovadas teorias que dão sólidos embasamentos ao PNAIC (pacto nacional pela alfabetização na idade certa) me atrevo a dizer com antecipação que este é mais um elefante branco que vai levar para o vale do desperdício do dinheiro público mais alguns milhões e apresentar no máximo, resultados mínimos.
Como não tenho tanto dinheiro como o MEC, mas tenho alunos que não foram alfabetizados na idade certa. Tenho certeza também que isso não aconteceu por falta de capacidade dos professores e professoras que me antecederam. Desenvolvi algumas atividades, que embora tenham o tamanho de meus bonsais, estão despertando um grande fascínio nestas crianças, lógico que seriam criticadas pelos experientes e por viciados nas modernas teorias que insistem em ensinar “o que não se deve fazer” e vivem de não fazer nada!
O exemplo de minha pequena e adorável pitangueira, os frutos que estas atividades produzem, não são vistos nem admirados por muitos, mas são saborosos, tanto para meus pequenos gênios medíocres, como para este medíocre e pouco ambicioso professor.
Não sou ambicioso e nem egoísta, não gostaria de ganhar dinheiro com isso, portanto gostaria de dividir minha pequena obra com o maior número de professores e professoras, reforçando o conceito Freniano  de que as frutas sejam servidas de acordo com o paladar ímpar de cada educando, todas as sugestões de atividades servem apenas para nortear o trabalho, cada um adube seu bonsai de acordo com suas necessidades, apenas compartilhem os resultados e respeitem o meu humilde direito de autoria, não ocultando meu nome dos pequenos livrinhos!
Daqui a alguns anos tenho certeza que todos os professores e professoras que participaram do PNAIC, estarão muito mais capacitados, motivados e seguros... Mas os alunos que não se alfabetizavam na idade certa continuarão presentes no índice do MEC, porque eles não fizeram parte deste pacto!
Prof. Gílberte
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